Rigoberta Menchú Tum é uma ativista Maia K'iche. Nasceu em 1959, numa pequena comunidade Maia chamada Chimel, situada nos planaltos da Guatemala. A sua juventude foi passada a viajar com o pai, de comunidade em comunidade, educando os camponeses sobre os seus direitos e incentivando-os a organizarem-se.


A Guatemala era um país marcado pela violência extrema, devido a profundas tensões étnicas e socioeconómicas entre a população indígena e os imigrantes europeus, que datavam já do período da colonização. Sob a ditadura de Efraín Ríos Montt, o exército guatemalteco começou uma campanha de “terra queimada”, no início dos anos 80, queimando centenas de aldeias Maias, massacrando centenas de pessoas e torturando e assassinando qualquer pessoa suspeita de discordar da política de repressão imposta.

A mãe e o irmão de Rigoberta foram sequestrados e assassinados, e o seu pai foi queimado vivo num protesto pacífico perto da Embaixada de Espanha, na Cidade da Guatemala. Durante esta campanha, os militares mataram cerca de duzentas mil pessoas e forçaram um milhão ao exílio, incluindo Rigoberta, que se viu obrigada a deixar o seu país. E enquanto o exército guatemalteco marchava contra o seu próprio povo, o resto do mundo permanecia praticamente em silencioso.

No exílio, Rigoberta entrou em contacto com grupos de defesa dos direitos humanos a trabalharem na América Latina. Foi a partir daí que começou a falar publicamente acerca do sofrimento dos povos indígenas na Guatemala e, em 1983, publicou o livro I, Rigoberta Menchú, projetando a guerra civil da Guatemala para as manchetes de todo o mundo.

Os contínuos esforços de Rigoberta Menchú Tum como ativista durante esses tempos foram reconhecidos pelo Comité Nobel, em 1992, ao atribuir-lhe o prémio Nobel da Paz, pelo seu trabalho de justiça social e reconciliação étnica-cultural com base no respeito pelos direitos dos povos indígenas.

A força simbólica do prémio Nobel ajudou de forma significativa à assinatura de um acordo de paz entre o governo da Guatemala e as forças de guerrilha, em 1996. Até então, mais de 400 aldeias Maias tinham sido destruídas, mais de 200.000 guatemaltecos haviam sido assassinados e existia mais de um milhão de pessoas deslocadas.

Entre 1996 e 2004, Rigoberta Menchú Tum foi Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO, promovendo a proteção dos direitos culturais, sociais e políticos dos povos indígenas e minorias étnicas. Ao mesmo tempo, trabalhava também na sua fundação, a Fundação Rigoberta Menchú Tum, que apoia comunidades Maias e sobreviventes do genocídio.

As suas lutas políticas levaram-na a fundar o WINAQ, o primeiro partido político liderado por indígenas, com o qual concorreu à Presidência da Guatemala em 2007 e 2011. Em 2013, foi nomeada Investigadora Especial no ‘Programa da Nação Multicultural’ da Universidade Nacional Autónoma do México.

Hoje, Rigoberta Menchú Tum continua a lutar pela justiça para todos os que foram afetados pelo genocídio, enquanto continua seu trabalho na promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento.